sábado, 30 de outubro de 2010

Características ecológicas da Reserva Florestal do Morro Grande

Características ecológicas e implicações para a conservação da Reserva Florestal do Morro Grande



Os levantamentos biológicos realizados nos últimos cinco anos na Reserva Florestal do Morro Grande (RFMG) permitiram inventariar mais de 13.000 indivíduos pertencentes a 673 espécies de árvores, mamíferos não-voadores, aves, répteis, anuros e aranhas orbitelas.

A comparação dos dados obtidos revela padrões biológicos consistentes que levam a quatro conclusões principais:

i) a RFMG se situa numa condição de transição, recebendo influências das florestas ombrófilas densas e mistas, das estacionais e até do cerrado;

ii) todos os grupos taxonômicos estudados apresentam diferenças significativas na riqueza e/ou na composição de espécies quando comparadas as florestas em estádios sucessionais intermediários/avançados de sucessão (80-90 anos após corte raso) e a floresta madura, mais antiga (onde houve apenas corte seletivo), o que deve contribuir para um aumento da diversidade gama da RFMG, uma vez que esta é um complexo mosaico de vegetação em diferentes estádios sucessionais;

iii) dado, em parte, aos dois fatores anteriores, a RFMG apresenta um padrão, consistente para diferentes grupos taxonômicos, de elevada riqueza de espécies quando comparada com outras áreas de Floresta Atlântica;

iv) por sua localização numa matriz de alta densidade populacional humana, a RFMG vem sofrendo fortes perturbações, em particular devido à caça, extrativismo vegetal predatório e entrada de espécies exóticas e invasoras. A conservação da singular biota da RFMG dependerá do estabelecimento de um plano de manejo que consiga tirar vantagens da proximidade à cidade de São Paulo, em termos de pesquisa científica e projetos educacionais/turísticos, e estabeleça o controle das espécies exóticas, da caça, do extrativismo vegetal e da ocupação inadequada do seu entorno imediato.

(...)

Implicações para a conservação

Alguns dos resultados produzidos por estes estudos são bastante animadores. Em particular, a alta densidade e riqueza de espécies de plântulas, e a ausência de espécies exóticas ou invasoras neste estrato da floresta indica que a regeneração florestal está ocorrendo espontaneamente, até mesmo nas áreas secundárias da RFMG (Alves & Metzger 2006). A alta conectividade das florestas da RFMG com aquelas da Serra de Paranapiacaba, formando praticamente um contínuo florestal abrangendo diversas unidades de conservação (os Parques Estaduais de Jurupará, Carlos Botelho, Intervales e Turístico do Alto Ribeira), certamente facilita a recolonização ou o efeito de resgate das populações presentes na RFMG. Portanto, a RFMG não necessitaria de ações de restauração mais custosas, como o reflorestamento ou o enriquecimento com espécies nativas, ou o repovoamento de espécies extintas de animais. Os próprios processos naturais de regeneração e recolonização poderiam suprir as eventuais perdas de espécies, não fossem os impactos mais intensos que a RFMG vem sofrendo.

De fato, a RFMG está inserida numa matriz extremamente agressiva, seja pela alta densidade populacional de seu entorno, seja pela presença de um cinturão agrícola com amplo uso de produtos químicos, resultando num largo "efeito de borda". Os problemas relacionados à caça, extrativismo vegetal predatório e presença de espécies exóticas ou invasoras necessitam de manejo imediato, que deveria ser discutido e elaborado quando do estabelecimento do Plano de Manejo da Unidade de Conservação. Para a definição deste plano de ação é necessária uma ampla discussão dos problemas e usos desejados da RFMG, que deverá envolver diferentes setores da sociedade, incluindo pesquisadores com diferentes especialidades, a sociedade civil do entorno e a atual gestora da RFMG, a SABESP. Não nos cabe aqui antecipar este fórum de discussão e apresentar "soluções definitivas" aos problemas da RFMG, porém os dados que obtivemos permitem delinear algumas diretrizes de cunho biológico que poderão alimentar a discussão de um plano de manejo e gestão da Reserva.

• É necessário o imediato controle de espécies exóticas, em particular o mico-estrela (Callithrix penicillata), a lebre européia (Lepus capensis), a rã touro (Rana catesbeiana) e cães e gatos domésticos. Provavelmente, a ação mais adequada para a conservação das espécies nativas é a retirada completa das exóticas, ou quando não for possível, um rígido controle populacional. Da mesma forma, deve-se monitorar a proliferação de espécies exóticas da flora, evitando-se seu plantio dentro ou no entorno da unidade.

Conforme exigência do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza1, é necessário enquadrar a RFMG numa das categorias permanentes de Unidade de Conservação. A importância biológica evidenciada nos estudos aqui sintetizados indica a necessidade de se garantir a conservação e uma efetiva proteção da RFMG,, incluindo maior fiscalização e controle de atividades ilegais (especialmente caça, extrativismo e incêndios propositais), zoneamento com definição de áreas intangíveis (em particular nas áreas de florestas maduras, ao sul da Reserva) e controle do uso da reserva (plano de visitação, proibição de entrada de animais domésticos, entre outros). Neste sentido, é necessário o enquadramento da Reserva em uma das categorias de unidade de proteção integral. As alternativas a serem discutidas incluem: i) Parque Estadual, que abre a possibilidade de desenvolvimento de atividades de turismo ecológico e de educação ambiental em ampla escala; ii) Reserva Biológica, que estaria voltada mais exclusivamente à proteção da biota e à pesquisa; iii) Estação Ecológica, que objetiva a geração de conhecimento científico;

Devido à sua proximidade com a cidade de São Paulo, a RFMG apresenta um potencial turístico e educativo que poderia ser explorado mais intensamente, em particular se for decidida a sua inclusão na categoria de Parque Estadual.

• Ainda devido à proximidade com São Paulo e suas Universidades e centros de pesquisa, há também um grande potencial para estudos biológicos de longo prazo, como o monitoramento de populações nativas, estabelecimento de parcelas permanentes para estudo da vegetação, entre outros. A infra-estrutura já existente, incluindo uma casa para pesquisa que pode alojar de 15 a 20 pessoas, favorece estes estudos.

A RFMG necessita o estabelecimento de uma real Zona de Amortecimento no seu entorno, que neste momento é inexistente. Caso contrário, os efeitos de borda, já extensos, tendem a se intensificar com a propagação de loteamentos de alta densidade populacional, principalmente a leste da RFMG, ou com o uso indiscriminado de adubos, pesticidas e herbicidas a oeste da RFMG.



Artigo completo em Scielo Brasil

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Construção de aterro sanitário de Cotia preocupa moradores

Entidades não comentam a necessidade do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), que é indispensável em empreendimentos desta ordem.


Matéria:

A área em questão fica na Estrada do Tabuleiro Verde, no bairro Tijuco Preto, que fica próximo à Reserva Florestal do Morro Grande

08/10/2010 09:34


Algumas entidades da região estão se mobilizando contra o aterro sanitário que será construído em Cotia. O assunto já foi discutido no ano passado na ocasião em que foi divulgado o local pretendido à construção do aterro, por meio de um Decreto do prefeito Carlão Camargo. A área em questão fica na Estrada do Tabuleiro Verde, no bairro Tijuco Preto, que fica próximo à Reserva Florestal do Morro Grande.

O local foi estabelecido no decreto nº 6664 de 30 de julho de 2009, que, em 06 de janeiro de 2010, foi revogado pelo Decreto 6766. Porém, em 06 de maio deste ano, o decreto 6846 revogou o decreto 6766 que anulava a determinação do local do aterro, com isso foi restabelecida a vigência do primeiro decreto, ou seja, fica mantido o local do aterro sanitário. (Para consultar os decretos na íntegra acesse, clique aqui).

O terreno em que se pretende construir o aterro tem área de 278.775,45 m², o decreto declara a área de utilidade pública para fins de desapropriação.

No Decreto 6846 que restabelece o local, há como anexo um relatório técnico elaborado pela arquiteta e urbanista da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo, Luciane Regis Laraia Alegre, o relatório encontra-se no Paço Municipal e pode ser consultado pela população.

O aterro será construído por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), a empresa ENOB Engenharia Ambiental venceu a concorrência pública. A empresa é a mesma que faz a coleta de lixo na cidade atualmente.

Entidades são contrárias à construção do Aterro no Tijuco Preto
Conversamos com o Sr. Wlad Farias, diretor presidente da Associação Ecoexistir, entidade que faz parte do Coletivo de ONGs da Região Oeste da Grande São Paulo (GO Verde).

Segundo ele, as entidades participantes do GO Verde são contra o aterro na Estrada do Tabuleiro Verde, em razão do local estar a menos de 2 km da reserva do Morro Grande, em uma área de mananciais que fazem parte do sistema de abastecimento da Região Oeste da Grande São

Paulo. Farias explica que a possibilidade de contaminação poderá comprometer a qualidade de vida de mais de 600 mil habitantes da região e defende que o local é um corredor natural da fauna que circula nas regiões de Mata Atlântica do Morro Grande, unindo vários outros biomas em outros municípios. “Os animais precisam circular nestes corredores porque graças a eles, a recomposição da flora se dá de forma natural. O rompimento deste importante elo comprometerá a continuidade de desenvolvimento e recuperação da mata e consequentemente da própria vida da flora”.

Para Farias, existem locais mais apropriados para a implantação do aterro sanitário, onde o comprometimento ambiental é menor. “Um deles, por exemplo, pode ser até mesmo o próprio aterro do Caputera, desativado, que precisa ser devidamente encerrado, mas cujos terrenos adjacentes podem comportar um novo aterro”, completa.

As entidades que fazem parte do GO Verde iniciaram um abaixo assinado, que obteve mais de 9.000 assinaturas de pessoas contrárias à implantação do aterro sanitário, coletadas por membros da própria comunidade do entorno. Além disso, juntamente com as associações de bairro e outras, as entidades vão enca-beçar, como proponentes da ação junto ao Ministério Público, a instauração de um processo para impedir que no local seja instalado qualquer empreendimento que possa colocar em risco o meio ambiente.

Posição da Prefeitura

Conversamos com José Lopes Filho, secretário de Habitação e Urbanismo, e de acordo com ele, a área foi prospectada por uma empresa ambiental contratada. “A prospecção dessa área não significa que o aterro sanitário será implantado efetivamente no terreno, a empresa que venceu a licitação para construir o aterro e cuidar da destinação do lixo na cidade tem que fazer toda a análise e licenciamento ambiental com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e deve seguir os critérios técnicos”, frisou o secretário.

Lopes Filho chama a atenção para o fato de que Cotia é uma cidade em que sobram poucas áreas para se trabalhar, pois existem áreas com limitações ambientais e outras densamente povoadas. “No meio do município existe a Reserva Florestal do Morro Grande, na região de Caucaia tem uma APA (Área de Proteção Ambiental), a área do Caputera [local em que ficava o antigo lixão] é área de manancial, o lixão foi interditado por essa razão”, completa.

Segundo o secretário, se não puder ser nessa área, terá que encontrar outra, pois o problema do lixo na cidade tem de ser resolvido.

Coleta de Lixo em Cotia
A destinação do lixo em Cotia vem sendo um problema há muito tempo, antigamente os resíduos coletados eram levados para um lixão no Caputera, mas o local foi interditado em 2004. Atualmente, o lixo coletado na cidade é levado para um aterro sanitário em Itapevi.

Entidades do GO

Fazem parte do GO Verde as seguintes entidades: PROAM, AMARRIBO, MDGV, Floresta dos Unicórnios, Transition Towns Granja Viana, Ecoexistir, Rancho dos Gnomos, Projeto Âncora, Voto Consciente, Autonomia Libertária, Resgate Cultura, Calangos da Mata, Sociedade Ecológica e IBIOCA.

Do Oeste Verde

USP desenvolve fossa séptica mais eficiente e de menor custo do que as convencionais

Saneamento acessível

A grande maioria das cidades brasileiras sofre, em maior ou menor grau, de contaminação por nitrogênio, particularmente de nitrato. As zonas rurais são contaminadas por causa do uso excessivo de fertilizantes e os solos urbanos recebem nitrogênio principalmente de fossas sanitárias ou mesmo de redes de esgoto sem manutenção ou mal projetadas.

Esse problema levou o grupo de pesquisa do Laboratório de Modelos Físicos do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IG-USP) a desenvolver uma fossa séptica que fosse mais eficiente e, ao mesmo tempo, acessível às populações mais pobres, que dependem principalmente desse tipo de saneamento.

O projeto Minimização dos Impactos dos Sistemas de Saneamento (Minisis), apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, analisou o problema de maneira ampla e resultou em uma série de contribuições ao sistema de saneamento por fossas sépticas.

“As fossas convencionais são bastante eficientes em degradar matéria orgânica infiltrada no solo, mas o seu rendimento é limitado para nutrientes, como o nitrogênio”, disse Ricardo Hirata, professor do IG-USP e coordenador do projeto. O resultado é a contaminação do ambiente por microrganismos e por nitrato (NO3), uma das formas que se apresenta o nitrogênio no ambiente e que é muito estável e móvel e pode permanecer por décadas nas águas subterrâneas.

A dificuldade de degradação do nitrato, aliada ao fato de derivar de uma fonte crescente, os dejetos humanos, fazem dele o contaminante mais abundante do planeta nas águas subterrâneas. “O nitrato não é o contaminante mais agressivo, mas com certeza é o mais comum e o que se apresenta em maior volume nos reservatórios de água subterrânea, os aquíferos”, disse.

O problema aumenta com o crescimento das cidades, cujas redes de coleta de esgoto nunca crescem na mesma proporção. O resultado é a permanência de nitrato no ambiente por períodos que podem chegar a centenas de anos.

O nitrato permanece nos lençóis freáticos e volta à população com a captação de água por poços ou nascentes, configurando-se em um grande problema de saúde pública. “Um dos mais sérios casos de contaminação é o da cidade de Natal (RN), cuja população consome água encanada com nitrato”, disse Hirata.

Em São Paulo, a situação também requer atenção, segundo o pesquisador, pois 75% dos municípios paulistas são abastecidos total ou parcialmente pela água que vem de fontes subterrâneas, muitas dessas vulneráveis à contaminação por fossas.

Sem condições financeiras de construir uma estrutura apropriada, muitos moradores cavam buracos simples no solo e que, frequentemente, encontram o nível freático. Esse recurso, chamado de “fossa negra”, é ainda mais nocivo ao ambiente, pois injeta o contaminante diretamente na água subterrânea, sem que nenhuma forma de redução do contaminante possa ocorrer no solo, onde se processa a maior parte da transformação bioquímica dessas substâncias nocivas, segundo o professor.

Desenvolvimento no local

Para desenvolver o novo modelo de fossa, o grupo da USP precisava de uma comunidade que não fosse atendida pela rede de esgoto. O bairro de Santo Antônio, no distrito de Parelheiros, zona sul de São Paulo, foi o escolhido.

Os pesquisadores acompanharam o desempenho de duas fossas pertencentes a moradores vizinhos. Uma delas, a fossa controle, era do tipo negro convencional. A segunda foi construída na casa ao lado segundo a tecnologia desenvolvida pelo grupo.

A fossa projetada pelos pesquisadores tem dois níveis. O primeiro é formado por óxidos de cálcio e de ferro, um rejeito da indústria siderúrgica com propriedades bactericidas. “Por ter um pH muito alto, próximo de 12, esse material consegue degradar vírus e bactérias com alta eficiência”, explicou Hirata.

Para o experimento a equipe conseguiu trazer escória do porto capixaba de Tubarão, que possui grande fluxo de exportações de minério de ferro. Após passar pela camada mineral, o líquido efluente percola para a segunda barreira reativa, composta por areia e serragem da madeira cedrinho. Os cavacos de madeira, que fornecem carbono ao meio por respiração aeróbica, consomem o oxigênio e propiciam que o nitrato seja reduzido bioquimicamente a um gás de nitrogênio.

O projeto foi bem-sucedido e a primeira camada eliminou 95% dos vírus e bactérias presentes. Já a barreira de serragem e areia degradou com eficiência 60% do nitrato encontrado, mas Hirata aponta que o conhecimento alcançado no experimento permite melhorar esse número para 80%.

A degradação do nitrato no novo sistema foi tema da tese de doutorado de Alexandra Vieira Suhogusoff, defendida este ano. A aluna foi orientada por Hirata e teve apoio FAPESP por meio de uma Bolsa de Doutorado Direto.

A redução dos microrganismos obtida na primeira camada da fossa rendeu a tese de doutorado de Jesse Stimson, da Universidade de Waterloo, no Canadá, instituição que colaborou com o projeto de pesquisa.

O trabalho ainda contou com equipamentos de monitoramento para controlar a quantidade de material lançado em cada fossa e permitir a retirada de amostras. Os resultados obtidos foram usados para construir modelos numéricos que indicaram a possibilidade de se repensar a ocupação urbana sem rede de esgoto, permitindo aumentar o número de fossas sem implicar contaminações das águas subterrâneas ou mesmo superficial.

“Como ela é mais eficiente, podemos aumentar em até 60% a densidade de fossas em um bairro, comparativamente à capacidade de suporte com uso de técnicas convencionais”, afirmou Hirata, ressaltando que o custo da obra é bem acessível, embora não tenha estimado o valor exato.

Outra vantagem é que a construção da nova fossa não exige treinamento específico de profissionais. “Qualquer pedreiro familiarizado com obras de poços é capaz de construir o novo modelo”, disse. Isso permite que seja utilizada mão de obra local, mais acessível financeiramente.

Poços mais seguros

Outro resultado do projeto foi o desenvolvimento de uma metodologia para avaliação sanitária de poços de água. Trata-se de um questionário simples com dez perguntas objetivas que exigem respostas simples de “sim” ou “não”, como “há criação de animais próxima ao poço?”, “o poço possui trincas na parede interna?” e “a água que sai da cozinha passa a menos de 10 metros do poço?”

Com ele, um agente de saúde pode fazer um levantamento da qualidade da água consumida em um bairro, uma vez que a qualidade do poço é estimada a partir do número de respostas positivas recebidas.

“É um modo simples de municiar os órgãos de saúde pública na importante questão do consumo de água na área periférica de cidades”, sugeriu Hirata, que alertou para o fato de a população não possuir parâmetros objetivos para avaliar a água de seus poços.

“Para muitos, a água cristalina e fresca é sinônimo de água potável e, como as doenças provocadas pela contaminação aparecem esporadicamente, eles não associam essas doenças à qualidade da água”, apontou. O questionário foi adaptado de uma metodologia desenvolvida na Inglaterra e aplicada com sucesso em alguns países africanos.

Segundo o professor do Instituto de Geociências da USP, a fossa e o questionário desenvolvidos nessa pesquisa são soluções baratas e que podem ajudar especialmente as áreas mais afastadas e carentes enquanto não recebem rede de esgoto.

“O ideal seria que todos tivessem coleta de esgoto, porém, como nossa experiência mostra que a área de saneamento não costuma contar com muitos recursos, essas soluções poderiam amenizar muito a contaminação da água e reduzir os problemas de saúde da população”, disse Hirata.

Publicado em 23 de agosto de 2010


Fonte: Fabio Reynol /Agência FAPESP

CONSEMA aprova EIA-RIMA de aterro sanitário em Itapevi

(matéria não informa o ANO)
Em votação realizada na quarta-feira (11/abril), o Conselho Estadual do Meio Ambiente - CONSEMA aprovou, por 23 votos contra 7, o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental - EIA-RIMA para a construção de um aterro sanitário no Município de Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo. A reunião foi presidida pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Tripoli, e contou com a participação de conselheiros e especialistas ambientais, além de lideranças da comunidade, que se posicionaram contra e a favor do empreendimento.

O aterro, a ser construído pela Empresa de Saneamento e Tratamento de Resíduos Ltda. - ESTRE, terá capacidade para receber 500 toneladas/dia de lixo doméstico e resíduos industriais não perigosos, atenuando a grave situação que vivem atualmente os municípios de Itapevi, Carapicuíba, Barueri, Cotia e Jandira, onde os resíduos são dispostos irregularmente em lixões. Com a aprovação do CONSEMA, o empreendedor recebe uma licença prévia e deverá apresentar um projeto básico para a obtenção das licenças de instalação e operação do aterro.

Informações sobre os EIA-Rima, que foram realizados entre 1988-9
Fonte: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

No Espírito Santo, uma ETE biológica. Assista no You Tube

Uma estação de tratamento de esgoto inovadora em Venda Nova do Imigrante (ES), chamada Biossistema Integrado.

Veja a matéria no You Tube

O que são biosistemas integrados?

BIOSISTEMAS INTEGRADOS -

Ao longo dos últimos 12 anos, o conceito de Bio Sistema Integrado (BSI) difundido pelo OIA, pode ser testado em Chengdu na China, Extremadura na Espanha, Matagalpa na Nicarágua, além do Brasil, onde já atua nas regiões Sudeste, Centro Oeste, Norte e Nordeste, totalizando 70 projetos que atendem a cerca de 15 mil pessoas. Toda forma de resíduo orgânico animal ou vegetal pode ser tratada e re-inserida em novo ciclo, mas são as dejeções humanas nas áreas urbanas e os resíduos de animais e da agricultura nas zonas rurais que melhor podem fazer uso do conceito de BSI.

Os BSI podem ser adaptados a cada situação local. Para residências e sítios de lazer a forma mais utilizada é a que se compõe de: biodigestor com filtro e dispersão do efluente tratado em zonas de raízes para fertirrigação seja dos jardins como de áreas de cultivo; para comunidades com até 500 moradores tem sido instalado duplo biodigestor com caixas separadoras de lodo seguido por filtro de contacto com paredes de transbordamento e represamento; para áreas agrícolas o OIA sugere sempre pesquisar o que já existe funcionando na região para otimizar a inversão. Os modelos mais usados tem sido de biodigestores em série com tamanhos que variam de 10 a 100 metros cúbicos por unidade. Filtros e áreas de contacto com zonas de raízes, tanques de algas, peixes, macrófitas, composteiras, zonas de cultivo ou recuperação de áreas degradas são fundamentais para o reuso do efluente tratado nos biodigestores. As três versões reduzem coliformes, DBO e DQO acima de 90%, atendendo as normativas de saneamento.

Melhoramentos como tanques profundos e produção intensiva permitem um gerenciamento mais eficiente da terra, abrindo assim um número maior de usuários.

Processados em biodigestores e filtros de contato, tanques de oxidação, sedimentação, aeração, peixes e macrófitas, os resíduos, livres de carga poluente, são utilizados na criação de peixes e aves, e na adubação de flores e hortaliças. O biogás é utilizado para cozinhar.

Esta tecnologia saneia o habitat humano, agrega valor a cadeia produtiva e preserva o meio ambiente, já que o tratamento devolve a água ao rio em estado de balneabilidade, sem riscos de contaminação à natureza.

Mais informações: OIA - O Instituto Ambiental / RJ

O que são biodigestores?

Biodigestores são equipamentos hermeticamente fechados e servem para tratar resíduos organicos. São capazes de reduzir até 70% a materia organica e por isso são acoplados a biofiltros que aumentam sua capacidade na remoção de carga organica, podendo chegar a 90% de eficiencia. Os biodigestores possuem tres fases de fermentação: acidogênica, acetogênica e metanogênica. Esta ultima é a responsável pela produção do biogás, mistura de metano e carbono que pode ser usada como fonte de calor, combustivel, energia. O biossólido resultante desses processos de fermentação é de alto valor nutricional para as plantas e o líquido gerado no efluente pode ser utilizado para fertirrigação e cultivo em geral.

Vantagens dos BioDigestores:

Totalmente estanque;
Limpeza do digestor a cada 5 anos em média: o material pode ser utilizado como adubo após secagem ao sol por 30 dias.
Custo: Embora com custo inicial maior, não necessita de manutenção e gera nutrientes e bio-gás.
Pode ser integrado ao paisagismo se complementado com lagos de plantas aquáticas e peixes.
Seu efluente pode ser utilizado na ferti irrigação por infiltração nas raízes das plantas.
Tem aprovação dos órgãos ambientais.

Fonte: OIA - O Instituto Ambiental / RJ