quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Aterro no Tijuco Preto volta a assustar moradores

Meio Ambiente

20/09/2010

Sonia Marques

Passados mais de um ano desde que a Prefeitura de Cotia divulgou um edital com a intenção de construir um aterro sanitário em uma área de reserva no bairro do Tijuco Preto, divisa entre Cotia e Vargem Grande Paulista, e o terror volta a assombrar moradores.

Na verdade, ao contrário do que muita gente pensa, o decreto que revogou o lixão em março deste ano também foi revogado. Ou seja, o aterro no Tijuco Preto está na pauta novamente.

A área destinada pela prefeitura para construir o aterro sanitário, que será entregue à iniciativa privada por meio de uma Parceria Público Privada - PPP tem quase 279 mil metros quadrados e pertence ao espólio de Samuel Podval, falecido em agosto do ano passado.

Entenda: O aterro sanitário de Cotia foi criado pelo decreto 6.664 de julho de 2009. Em janeiro deste ano, o decreto 6.766 revogou o anterior, ou seja, a criação do aterro estava descartada. O que ninguém esperava e estava quase passando despercebido, é a publicação do decreto 6.846 de maio deste ano revogando o decreto 6.766 e restabelecendo a vigência do primeiro decreto. Em outras palavras reativando a possibilidade de instalação de aterro sanitário ao lado da Reserva do Morro Grande, no Tijuco Preto.


O local


O local escolhido fica entre as Estradas do Furquim e Tabuleiro Verde, cerca de trezentos metros da Estrada do Morro Grande, na divisa com o Jardim Sandra, perto de onde o Rio Cotia começa a cortar os bairros da cidade.

José Lopes, secretário de Habitação de Cotia explica que dentre todas as áreas pesquisadas na cidade aquela é a única que apresenta características que permitem a instalação do aterro. Os dados constam no relatório técnico assinado pela arquiteta e urbanista da Prefeitura de Cotia Luciane Regis Laraia Alegre e estudo de viabilidade ambiental realizado pela bióloga Ludmila Lopes de Castro.





Localização do aterro, na Região do Tijuco Preto em imagens do google. Próximo à Reserva do Morro Grande


Segundo o laudo técnico, o local é indicado porque o crescimento populacional está estagnado a alguns anos e que possui áreas de grande extensão sem ocupação econômica. E está fora da área de proteção ambiental.

A vistoria do terreno foi feita em abril. Segundo Ludmila, a área é seca e com uma faixa de terra alagável, por onde passe um córrego.

A indicação da bióloga é que seja utilizada apenas 50% da área e que a outra parte seja para preservação para reduzir o impacto ambiental e compensar a área que efetivamente será utilizada pelo aterro. O laudo completo foi publicado na edição impressa da Imprensa Oficial do Município de Cotia, que circulou em maio deste ano, mesma edição em que foi publicada o decreto retomando o aterro.

"A área do Tijuco foi indicada como passível para receber o aterro, mas isso não quer dizer que o aterro será lá", frisou José Lopes.

Ainda existem outras etapas a serem cumpridas, que serão encaminhadas pela Enob Ambiental empresa que acaba de vencer a licitação da "PPP do Lixo" e ficará responsável por todos os procedimentos. "E terá que cumprir à risca todos os itens indicados na PPP", diz Lopes.



Estrada do Taboleiro Verde, liga o Tijuco Preto ao Jardim Sandra


População se mobiliza novamente
Um grupo de moradores do entorno do futuro aterro, chegou a protocolar ações no Ministério Público de São Paulo e oficio na Cetesb a fim de barrar a construção do aterro. Mas diante da revogação do decreto em janeiro, o movimento desmobilizou.
Mais uma vez, um grupo de moradores se mexe para impedir a construção do aterro no Tijuco. Eles evitam dar detalhes de como procederão mas um abaixo assinado coletando assinaturas já está circulando pelo bairro. Eles esperam atingir pelo menos seis mil assinaturas.

Mal necessário?
Um grande problema a ser equacionado pelo governo municipal é o lixo. O famoso ‘Lixão do Caputera' foi interditado em 2004 pelo IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, por várias agressões ao meio ambiente; a principal delas o não tratamento do chorume - o líquido produzido pela decomposição de orgânicos, altamente poluente.

Um Termo de Ajustamento de Conduta - TAC assinado pela empresa que explora o lixo na cidade desde aquela época, a Enob Ambiental, obriga que o chorume seja tratado. No entanto, até hoje o líquido corre a céu aberto mata adentro.

Desde então, todo lixo produzido pelos moradores de Cotia é exportado para Itapevi e a cidade paga caro por isso. O custo com a coleta e destinação final, hoje, chega a R$ 2 milhões de reais mensais.

O local ainda passará por vistorias da Cetesb e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente que darão a resposta final. Se a resposta for negativa, a empresa responsável terá que sondar nova área, o que muito dificilmente será encontrada, se levar em consideração os estudos apresentados. E neste caso, a cidade terá que continuar "exportando" lixo.


Fonte: Cotia Todo Dia

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